
Uma clarificação sobre a posição e os métodos de Unam Sanctam
30/04/26
Declaração oficial
Caro leitor,
Há alguns pontos que gostaríamos de esclarecer sobre o projeto Unam Sanctam, em razão de mensagens que recebemos desde a publicação do site. Embora estejamos procurando oferecer o melhor de nossos esforços, inevitavelmente alguns mal-entendidos acontecem.
No entanto, queremos esclarecer esses pontos de forma rápida e consistente.
Gostaríamos, portanto, de explicar quatro questões sobre o projeto:
a) O Unam Sanctam está convocando um Concílio Geral Imperfeito ?
b) O Unam Sanctam acusa seus opositores de serem hereges ou cismáticos?
c) Por que não revelamos os nomes dos padres e bispos?
d) Quais são nossos critérios para aceitar os nomes de membros do clero?
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O Unam Sanctam está convocando um Concílio Geral Imperfeito?
Nosso site menciona frequentemente um Concílio Geral Imperfeito, o que, às vezes é confundido com a ideia de reuniões a serem realizadas antes do CGI. No momento, o nosso foco são as reuniões ou “pré-reuniões”, enquanto o CGI é a solução proposta que declaramos e apoiamos publicamente para a crise atual.
A ideia dessas reuniões é reunir o clero — especialmente os bispos — para discutir sobre a crise que a Igreja enfrenta atualmente e verificar se é possível encontrar uma solução: no sentido de constatar a ausência de um chefe legítimo e a forma de prover um Papa, independentemente de concordarem ou não com a ideia de um Concílio Geral Imperfeito como solução.
Pois, de fato, todos concordam que há um problema muito sério que exige solução. Contudo, cada grupo propõe um caminho diferente, nenhum dos quais, em nossa opinião, representa verdadeiramente uma solução compatível com a natureza da Igreja: alguns dizem que devemos esperar a conversão da hierarquia pós-conciliar; outros que devemos permanecer em comunhão com ela, mesmo quando ensina erros doutrinários graves; outros ainda que devemos aguardar apenas a intervenção divina, sem nenhuma cooperação humana. O CGI é uma solução proposta pelo Unam Sanctam, que tem o mérito de ser compatível com a natureza da Igreja, pois exige tanto o auxílio divino quanto a ação humana: este é o caminho que apresentamos e para o qual pedimos apoio.
Contudo, também sabemos duas coisas:
Primeiramente, é importante ouvir os argumentos das outras posições. Se alguém puder demonstrar falhas em nosso raciocínio, será importante estaremos abertos a corrigi-las.
Em segundo lugar, se for para avançar com um CGI, isso deve ocorrer com a cooperação do maior número possível de membros do clero. É isso que entendemos por unanimidade moral. Trata-se de um termo bem aceito na teologia, que significa que, mesmo sem unanimidade perfeita, a grande maioria de um determinado corpo concorda com algo. Assim, o Unam Sanctam está determinado a esperar até que essa unanimidade moral seja alcançada antes de qualquer convocação de um Concílio.
Esses dois pontos levam à conclusão de que o clero remanescente deve, ao menos, reunir-se para discutir a crise em geral e o melhor caminho a seguir. Isso inclui também aqueles que discordam fortemente de nossa proposta, que consideram o CGI impossível, seja na prática ou em princípio. Convidamos esses membros do clero a participar das reuniões e expor suas razões, para que possamos discutir essas questões no espírito da verdade e da caridade fraterna, para o bem da Igreja. Esperamos que todos possamos concordar ao menos que esses assuntos merecem ser discutidos.
O Unam Sanctam acusa seus opositores de serem hereges ou cismáticos?
A nossa associação Unam Sanctam não afirmou — nem tem a intenção de afirmar — que aqueles que se opõem ao projeto sejam, em princípio, hereges ou cismáticos.
O objetivo da associação é, neste momento, sobretudo convencer o clero a se reunir e estudar a legitimidade de um encontro formal de todos aqueles que conservaram a verdadeira Fé, a fim de encontrar um remédio para a situação atual da Igreja.
Pedimos que as pessoas evitem atribuir-nos coisas que não dissemos, bem como tentar imputar ao Unam Sanctam intenções que não possui. Dada a complexidade do tema, surgirão vozes afirmando isso, mas elas não representam o nosso projeto. Tampouco podemos controlar ou nos responsabilizar por tudo o que dizem nossos apoiadores.
Compreendemos que há clérigos e leigos tanto contrários quanto favoráveis ao projeto. Que seja feita a vontade de Deus. O Unam Sanctam deixou claro que considerará a união do clero em torno do projeto como sinal de que deve avançar. Não há intenção de prosseguir sem essa condição. Que o debate se concentre na teologia, e não nas supostas intenções de quem apoia o projeto.
Alguém poderia perguntar: se um Sumo Pontífice for eleito, aqueles que não o reconhecerem não seriam considerados cismáticos? Respondemos: se a Igreja eleger um verdadeiro Sumo Pontífice, então sim, aqueles que o recusarem se tornarão cismáticos. Mas a questão central é: quem representa adequadamente a Igreja hoje? Essa será uma das prioridades das pré-reuniões. Se a Igreja, devidamente representada, resolver a situação do papado e eleger um Papa, ele será um verdadeiro Papa. E há uma boa notícia: sempre é possível sair do cisma aderindo ao Sumo Pontífice.
Por que mantemos confidenciais os nomes do clero?
Muitos gostariam que os nomes dos membros do clero que apoiam o CGI fossem divulgados (até o momento: 10 bispos, 45 sacerdotes e 66 religiosos).
No entanto, é um fato da natureza humana que muitos se sentiriam desencorajados a apoiar o CGI se soubessem que seus nomes seriam tornados públicos. Alguns podem estar em desacordo com seus superiores ou instituições e temer conflitos.
Outra razão é evitar ataques pessoais (ad hominem). Queremos que todos considerem a questão em consciência, independentemente de simpatias ou antipatias pessoais em relação a determinados clérigos.
Quanto aos fiéis que desejam conhecer a autoridade de certos bispos antes de apoiar a iniciativa, sugerimos que consultem clérigos de confiança, em vez de exigir a divulgação completa dos nomes.
Caso um CGI seja efetivamente convocado, os participantes se tornarão públicos, mas apenas quando houver apoio suficientemente amplo. Quanto às pré-reuniões, ainda não há decisão sobre anonimato, e qualquer divulgação dependerá do consentimento dos envolvidos.
Assim, mantemos os nomes em sigilo por ora para garantir que possam manifestar seu apoio com liberdade. Alguns clérigos já se pronunciaram publicamente, e somos gratos por isso.
[Observação: houve questionamentos sobre a possibilidade de perfis falsos inflarem os números. Isso não procede. As assinaturas do clero passam por verificação rigorosa antes de serem incluídas.]
Quais são os critérios para aceitar nomes de membros do clero?
O Unam Sanctam não possui autoridade para determinar o status canônico dos membros do clero atualmente. Alguns poderão ser posteriormente excluídos pelos próprios bispos reunidos.
A associação aceita os nomes daqueles que demonstram intenção de aderir à Fé Católica e suas consequências. São rejeitados apenas aqueles que claramente pertencem a organizações não católicas que professam erros contrários à fé, especialmente já condenados antes do Concílio Vaticano II.
A questão do Novus Ordo é delicada: há aqueles que aceitam erros e outros que os rejeitam, mas ainda não se separaram completamente. Considerando que o objetivo do CGI é justamente tratar dessas questões, esses casos são tolerados provisoriamente até que o Concílio esclareça essas questões da fé católica.
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Agradecemos a todos pelo tempo, paciência e apoio. Não hesitem em compartilhar este esclarecimento para que nossa posição seja melhor compreendida e representada com justiça.
Que Deus esteja com todos vocês, e por favor rezem para que Sua vontade seja feita.